
Catarinense morreu nesta terça-feira (6), aos 85 anos, e deixa uma história de proximidade com a Villa, marcada por exposição, obras exclusivas e uma coleção de vinhos que leva seu nome
A relação de Juarez Machado com a Villa Francioni ultrapassou as paredes de uma galeria. Entre telas, rótulos, poemas e vinhos, o artista catarinense construiu uma história particular com a vinícola de São Joaquim e deixou sua assinatura em um projeto no qual duas de suas paixões se encontraram: a arte e o vinho. Nesta terça-feira (6), sua morte, aos 85 anos, encerrou uma trajetória artística reconhecida no Brasil e no exterior, mas deixou na Villa Francioni parte concreta desse legado.
Nascido em Joinville, em 1941, Juarez desenvolveu uma carreira que atravessou diferentes linguagens e fronteiras. Pintura, desenho, escultura, gravura, fotografia, cenografia, ilustração e performance fizeram parte de sua produção, marcada por uma linguagem própria e pela observação das relações humanas e de cenas do cotidiano. Ao longo da vida, viveu também no Rio de Janeiro e em Paris, projetando sua produção internacionalmente.
O encontro com a Villa Francioni ganhou força a partir da afinidade de Juarez com o universo do vinho, tema que já aparecia em sua produção artística. Em 2012, a Galeria de Arte da vinícola recebeu a exposição “Castelos de Vinho”, aproximando ainda mais o artista do projeto cultural concebido em São Joaquim. Essa relação posteriormente avançou para uma colaboração criada especialmente para as garrafas da vinícola. Dez anos depois, em 2022, Juarez voltou a expor na Villa, reafirmando uma relação que já fazia parte da trajetória da casa.
Juarez desenvolveu trabalhos exclusivos para uma coleção de vinhos que recebeu seu nome. Inspirado pela arquitetura, pela paisagem e pelo universo da Villa Francioni, o artista produziu sete composições para os rótulos, tendo como referência os cinco sentidos, além do universo interior e exterior. Cada garrafa recebeu ainda um poema escrito por ele para o contrarrótulo.
A coleção foi apresentada oficialmente em 2014, em um lançamento realizado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis, ocasião em que também foram apresentadas as telas originais criadas para o projeto. O trabalho nasceu a partir de vinhos da safra 2007, elaborados com Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Malbec. No mesmo ano, obras foram apresentadas em São Paulo, levando a parceria para além das fronteiras do estado.
A relação entre o artista e a Villa também se estendeu à literatura. Em 2023, a Associação das Letras lançou o livro “Arte Literária – Um Olhar sobre a Obra de Juarez Machado”, publicação dedicada à trajetória e à produção do artista e que contou com a participação de nomes ligados à preservação e difusão de sua obra. O lançamento integrou a programação cultural da Villa Francioni e reforçou a presença de Juarez no projeto que aproxima arte, memória e vinho.
Para Daniela Freitas, presidente do Conselho Administrativo da Villa Francioni, a morte de Juarez Machado representa também a despedida de alguém que passou a integrar a memória da vinícola. “Juarez deixa uma contribuição imensurável para a arte e para a cultura de Santa Catarina e do Brasil. Para a Villa Francioni, existe ainda um sentimento muito particular, porque tivemos o privilégio de construir uma história com ele. Sua relação com o vinho se encontrou com a nossa relação com a arte e desse encontro nasceram trabalhos que permanecem como parte da trajetória da VF. Hoje nos despedimos com tristeza, mas também com muita gratidão por tudo o que ele criou e por ter deixado sua marca entre nós. Manifestamos nosso carinho e solidariedade à família, aos amigos e a todos que compartilham deste momento de perda”, afirma Daniela.
A presença de Juarez na história da Villa dialoga diretamente com a concepção original da vinícola. Quando Dilor Freitas idealizou o empreendimento em São Joaquim, estabeleceu a arte como um de seus pilares, ao lado do homem e da tecnologia. Essa escolha ganhou forma também na criação da Galeria de Arte, espaço que passou a integrar a experiência da vinícola e a receber trabalhos de artistas brasileiros e estrangeiros.
Juarez Machado morreu no interior do Rio de Janeiro. O artista deixa uma trajetória construída ao longo de décadas e reconhecida dentro e fora do país. Mais do que um nome da arte catarinense, levou consigo referências de sua terra natal para uma produção que alcançou diferentes partes do mundo.
Na Villa Francioni, sua passagem permanece registrada de uma maneira singular: na memória das exposições, nas telas que se transformaram em rótulos, nas palavras escritas para acompanhar os vinhos e nas garrafas que fizeram da arte não apenas uma inspiração, mas parte da própria experiência de brindar.

























