
A atividade dos bandeirantes foi instaurada pela Ordem Régia da Lei de Ordenanças, datada de 1500. Autorizava a atividade exploratória de acordo com as seguintes premissas: proteger os territórios da colônia portuguesa, exploração das riquezas naturais e escravização dos indígenas para o trabalho. Esta última, posteriormente, proibida pelo Marquês de Pombal, ministro do Rei Dom José I.
Com o desenvolvimento comercial e industrial no “ciclo econômico das minerações” tornou-se indispensável à formação de vilas e cidades no território colonial português. Nas regiões ao Sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul permaneciam as reduções jesuíticas, um problema ao projeto colonizador dos bandeirantes.
De acordo com Affonso de E. Taunay “o território atualmente sul-rio-grandense já desde o século XVI fora percorrido por expedições vicentinas, anônimas”10. Assim, a geografia política e social nas terras sulinas muda a partir da ação mais profícua dos bandeirantes. O território geográfico do Planalto Serrano catarinense era conhecido antes da fundação da vila de Nossa Senhora das Lages em 1766.
A região servia como estrada de passagem para o sudeste brasileiro. Além dos habitantes naturais das tribos Xokleng e Caigangs, estiveram em trânsito pessoas desconhecidas, transeuntes, viajantes, negociantes e tropeiros do “Certão de Curitiba”. Entretanto, nas regiões ao sul, haviam dúvidas sobre os limites territoriais entre a Capitania de São Paulo e a Capitania do Rio Grande do Sul. Os bandeirantes eram os mais qualificados para orientar os governadores das capitanias a respeito dos limites das terras.
Antônio Correia Pinto quando designado para as campanhas do sul também foi qualificado como “conhecedor das terras” as quais colonizaria e delimitaria o território fronteiriço. Em documentações oficiais consta que em 1762 foi tomado conhecimento do assassinato de Francisco Bueno em um local denominado “nas lagens” em a estância do capitão Pedro da Silva Chaves que se encontrava no Rio Grande de São Pedro desde o ano de 1737.
Em outro documento, um auto de devassa de 1746 no sertão chamada “as lagens”, mesmo ano em que ocorreu a demarcação de terras entre o Rio Grande do Sul e a comarca de Curitiba, foi inquirido como testemunha, Antônio Correia Pinto na qualidade de conhecedor do local onde ocorreram os fatos.
De acordo com Vidal Ramos Júnior “o próprio Correia Pinto já era fazendeiro nos campos das Lajes, como consta em uma carta escrita pelo Morgado de Mateus ao conde de Oeiras em 1766 (…) Pode-se dizer, portanto, que vem do ano de 1728 o estabelecimento dos primeiros moradores dos campos das lajes, pois data dêsse ano a abertura, por ordem do governador da capitania de S. Paulo, da estrada chamada dos Conventos, a qual, atravessando os ditos campos, abriu comunicação entre o Rio Grande do Sul e S. Paulo”. Outros documentos não citados mostram que Correia Pinto tinha referências geográficas claras sobre o futuro projeto colonizador do planalto sul.






















