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Uma estrela de brilho infinito: Prefeitura de Lages presta sua homenagem ao eterno “gaúcho lageano”, Laélio Bianchini

“Aprendi a ser gaúcho lageano lá, na Fazenda Morrinhos.” – Laélio Bianchini, o estimado Tio Lélo

O céu de Lages está azul nesta quarta-feira, dia 14 de julho de 2026, e ganha uma estrela que elevará o brilho da constelação de grandes personalidades lageanas que partiram para o plano espiritual depois de uma vida intensa e inesquecíveis feitos neste planeta ao lado de suas famílias, amigos e admiradores.

Lages e a Serra Catarinense se despedem de Laélio Bianchini, o Tio Lélo, o “gaúcho lageano” que não media elogios e luz no olhar ao falar da terra que o acolheu e lhe rendeu experiências maravilhosas de vida.

Por sua irretocável contribuição como pessoa, cidadão lageano e empresário do segmento do Turismo Rural, do qual foi um dos fundadores no Brasil, há 40 anos, e Lages, como Pioneira e Berço Nacional, em 2025 Laélio foi uma das mais de 50 celebridades protagonistas da série especial “Orgulho Lageano”, produzida pela Coordenação de Comunicação Social da Prefeitura de Lages.

O Poder Público Municipal manifesta seu profundo respeito à história, empreendedorismo como um dos precursores do Turismo Rural no Brasil e obra de Laélio e reconhece, com carinho, sua imensurável importância nas inúmeras páginas do livro dos 259 anos do município mais populoso da Serra de Santa Catarina. A Prefeitura de Lages – Secretaria do Turismo expressa suas condolências aos familiares e amigos neste momento delicado e presta sua solidariedade aos lageanos que sentem a perda física e já nutrem saudade por esta pessoa tão especial para a cidade e ao Turismo Rural.

Pela Nota de Pesar emitida pela Prefeitura de Lages, o Município lamenta a passagem de Laélio Bianchini da Costa Ávila e lhe homenageia: “Gaúcho de fé, de tradição e de coração acolhedor, fez do chimarrão partilhado, do trabalho honesto e do amor à família seu maior legado.”.

À família, amigos e tradicionalistas, os sinceros sentimentos da Prefeitura de Lages. “A preservação dos costumes, cultura e folclore de Lages na Fazenda do Barreiro instigam o ser humano em seus mais profundos sentidos e sentimentos. Provoca uma visita íntima em si mesmo e uma reflexão sobre o verdadeiro valor das preciosidades da vida. Lages agradece ao querido Laélio por sua dedicação de uma vida inteira à história, ao Turismo Rural e ao pulsar do coração do genuíno tradicionalismo”, reconhece a prefeita Carmen Zanotto.

As homenagens a Laélio podem ser feitas a partir do fim da tarde desta quarta-feira (14 de julho), às 18h, na Capela São Benedito.

Para nutrir a saudade – Orgulho Lageano

Laélio Bianchini, um apaixonado por Lages e pelas coisas do campo

Laélio Bianchini da Costa Ávila nasceu na Fazenda Morrinhos {área pertencente a Lages} e sempre reafirmava, de peito estufado: “Aprendi a ser gaúcho lageano lá.”. Formou-se em técnico e contabilidade em Uruguaiana, região de fronteira entre o Rio Grande do Sul e o país irmão Argentina.

O contador contador de histórias deixou ouvir a voz que falava mais alto em seu coração e trocou a lida com os números pela lida com o que mais amava: O campo e a singularidade da vida rural bem pertinho da natureza.

Entre as preciosidades guardadas por esta família, registradas nas paredes da casa de madeira ou em caixas de recordações, está o Diploma de Honra ao Mérito concedido a Laélio pela Secretaria de Estado dos Transportes e Obras, por intermédio do Departamento de Estradas de Rodagem de Santa Catarina (DER/SC), em 16 de outubro de 1981, por ocasião da inauguração da Rodovia Coronel Aristiliano Laureano Ramos – SC-425 – Trecho Otacílio Costa – SC-470.

Laélio esteve casado por seis décadas com sua princesa, Tânia Ávila – a descendente e herdeira original das terras da Fazenda – nascida entre Lages e São Joaquim [terras daquele tempo], professora por formação, com curta experiência com criancinhas e alfabetização de filhos de funcionários da fazenda. Em agosto de 2025, os pombinhos tinham 84 e 79 anos.

Desta união de conto de fadas nasceram dois filhos, Eduardo e Adriana, que é profissional administradora de um colégio em São José, na Grande Florianópolis.

A árvore genealógica dos Bianchini da Costa Ávila continua firme, fértil e frutífera. São quatro netos, bem encaminhados na vida: Um médico, uma médica veterinária, uma enfermeira e um estudante de psicologia.

Quatro décadas do Turismo Rural no Brasil –

Lages pioneira, referência nacional e internacional e Capital Nacional do Turismo Rural

Em 2025, o Turismo Rural brasileiro comemorou 40 anos {desde 1.985} e tudo começou na Serra de Santa Catarina, e em Lages. Lages é pioneira e referência nacional e estrangeira no segmento, a Capital Nacional do Turismo Rural.

A bicentenária – Fazenda do Barreiro, seus mais de 260 anos de história e sua 8ª geração

Fundada em 1.763 pelo português José Joaquim Pereira, a Fazenda do Barreiro, localizada em território geográfico dos municípios Painel e Urupema, é administrada pela 8ª geração da mesma família. Toda esta história está contada em seus dois Museus, com dezenas e dezenas de objetos que reconstroem os mais de 200 anos da Fazenda.

As atividades de hospedagem foram iniciadas em 1.986 {almoços em 1.985}, o que faz da Fazenda do Barreiro uma das duas pioneiras do Turismo Rural no Brasil, ao lado do Hotel Fazenda Pedras Brancas [esta em 1.985].

A Fazenda do Barreiro possui 262 anos, pois foi fundada em 1.763 [Lages foi fundada três anos depois], e iniciou suas atividades de Turismo Rural no ano de 1.986, com oferecimento de refeições de almoço, quando sua área geográfica pertencia ao município de Lages. O Hotel Fazenda Pedras Brancas começou sua atuação em 1.985, já com oferta de hospedagem a visitantes e turistas.

Entre as curiosidades da Fazenda do Barreiro estão as casas de pedras de taipas, material altamente resistente aos fatores da passagem do tempo e climáticos. Na Cozinha de Chão com mais de 200 anos, um cenário de novela rural de época, com adornos entalhados em madeira, e paredes com o que é considerado um “cimento” feito com esterco de gado, e montagem moldada sobre as coxas dos trabalhadores daquele tempo.

O que você irá ler a partir de agora deveria ser redigido em caneta tinteiro, aquelas que aparecem nas mãos dos escritores apaixonados por literatura romântica e rapidamente emoldurado em fios dourados para a posteridade.

Com vocês, o Turismo Rural brasileiro, na voz de Laélio Bianchini. Sente-se, apanhe uma xícara de café bem quente e deleite-se:

“Nós começamos Turismo Rural há 40 anos. A Fazenda era em Lages. Na Europa já se fazia Turismo Rural, aqui ainda era desconhecido. Os ônibus vinham de São Paulo para Gramado e o então prefeito à época, Paulo Duarte, queria segurar os aqui na região.

Temos fazendas com mais de 200 anos de história. Iniciamos recebendo gente do Hotel MAP. Assistiam danças, comiam churrasco… Mas nós não nos satisfazíamos, e eles também não, porque queriam passar mais dias, queriam pouso e não tínhamos condições de estrutura. Os primeiros turistas pousavam no sótão.

Um francês viu a notícia na Bahia e veio e ficou três, quatro dias aqui na Fazenda. Fizemos quatro apartamentos bem simples e assim demos a largada. ‘Fizemos’ palestras em praticamente todo o Brasil, inclusive na Ilha do Marajó [Pará].

Tem mais ou menos dez mil propriedades hoje recebendo turistas. Os habitantes das cidades grandes, de metrópoles, não têm mais o contato com a natureza. Aqui as pessoas conhecem a vaca, galinha; as crianças descobrem de onde vem o leite.

Passamos de quatro para seis apartamentos; depois, mais oito, e depois mais 11. Recebíamos 100 hóspedes, crescemos demais. Só que assim com muita gente, a gente acaba não conversando com as pessoas, não consegue muito contato. Hoje temos 18 apartamentos, sem perdermos a essência de fazenda, pois acreditamos neste fundamento. Estamos baseados na raiz, nossa fazenda e nossa história. Nós iniciamos este processo em Lages como uma novidade. Muitos começaram e desistiram. Creio que poderemos recuperar o número de propriedades de Turismo Rural com o trabalho da Secretaria do Turismo. Nós temos hóspedes que vêm há mais de 20 anos. Disseminou muito… para Urupema, Urubici.”

Um baú de experiências magníficas

“Oferecemos cavalgadas, almoço típico, churrasco de carne de gado [boi], ovelha, porco. Começamos com almoço, danças gaúchas e churrasco. Isto por seis meses. O Turismo Rural foi notícia no Brasil inteiro. Tenho recortes de jornal do Rio de Janeiro. Mantemos as características de fazenda, a estruturamos melhor; temos ar-condicionado, Internet nos quartos. Temos as saídas a cavalo, por uma hora pela manhã e por uma hora à tarde. As crianças são os nossos agentes especiais de turismo.”

Destino de turistas da Suíça, Alemanha, Inglaterra, França e Bélgica

Não importa o clima, se é verão ou inverno, primavera ou outono, tem turista de todo o tipo, look e idioma circulando pela Fazenda do Barreiro. Um misto de conversas e troca de informações históricas, culturais, políticas, sociais, ideológicas. O entrevero de assunto: É sobre futebol, presidente, música, esporte, teatro, comida, artista, influencer. A Fazenda do Barreiro já recebeu gente de praticamente todos os países da América do Sul e constantemente da Europa, como Suíça, Alemanha, Inglaterra, França e Bélgica.

A relação transcendental entre o homem e o cavalo e o poder visionário de Laélio

“Esses tempos, estávamos conversando – eu, Tânia e o Odair Ramos, agrônomo do Ministério do Turismo – sobre renda para contratar funcionário, e para conseguir viver bem. Houve um episódio em que recebemos 19 suíços aqui na fazenda. Eles ficaram uma semana e gastaram mais de 40 mil reais.

Fomos para a Coxilha Rica com eles. Uma turista queria muito andar em uma mula. Emprestei para ela e ficou contente, andou o dia inteiro com aquela mula. Voltaram 500 anos nas origens. Na Europa cultivam muito andar a cavalo.

Há 30 anos começamos as cavalgadas, por uma semana, pela Coxilha Rica, no mês de novembro, com grupos de brasileiros e grupos estrangeiros. A beleza dos campos da Coxilha, com direito a pouco para os cavaleiros, com almoço e ‘janta’ nas fazendas parceiras nossas. Passamos esta missão para o Daniel, da Fazenda Chapada, que segue este trabalho. Não existe no Brasil outro lugar como a nossa Coxilha Rica, mesmo fora do circuito.”

Uma enciclopédia viva e sua reverência às coxilhas

“A Coxilha Rica é detentora de campos nativos de dez mil anos, 40 variedades de capim e de pasto, serviu para o tropeirismo de mula de Viamão [Rio Grande do Sul] até Sorocaba [São Paulo]. As mulas vinham da Argentina e devido ao caminho perdiam peso, emagreciam demais. Os tropeiros ficavam por aqui ‘engordando as mulas’ por seis meses, recuperando os animais. Cristóvão Pereira de Abreu, que era geógrafo, saiu de Viamão com 800 mulas a São José do Rio Preto [SP}, levou meses e meses para chegar. Na Coxilha Rica havia pontos complicados e perigosos de passagem, como o Passo do Inferno Grande, depois Restinga Seca, Passo de Sana Vitória.”

O que esperar do futuro, o amanhã do Turismo Rural?

“O futuro é extremamente promissor. As pessoas se sentem isoladas na cidade. Os lugares estão cheios de gente, mas será que as pessoas estão se sentindo completas, inteiras? O prazer de poder pisar descalço no chão de terra batida. Montar a cavalo e sair sem rumo, sem ser escravo do relógio. Isso não vai acabar nunca.”  

Bodas de Cobre – 61 anos de casados – Tânia e suas confidências

Tânia ganhava café na cama todas as manhãs na Fazenda, onde morava até então com o seu amor Laélio, independentemente se estava de aniversário ou não, comemorado em 27 de janeiro. Foram 61 anos juntinhos, Bodas de Diamante.

O balanço que virou “namoradeira” até hoje

Uma das qualidades mais surpreendentes em um casal que está há mais de seis décadas em matrimônio é o companheirismo, os ciúmes, a cumplicidade, o coração acelerado de saudade, a preocupação se está bem, com saúde, alimentado e com o sono em dia. Com tanto tempo assim, é como se fossem uma única só pessoa. Não é preciso balbuciar nenhum suspiro, basta um olhar e um decifrava o outro em segundos.

Tânia fala de Laélio e de sua relação com a mesma emoção de uma menina que acabou de receber uma cartinha do pretendente ou do admirador secreto, cheia de coraçõezinhos desenhados, ou, nos tempos de hoje, uma “curtida”, um comentário ou um “match” nas redes sociais ou em aplicativos de relacionamento no aparelho celular. Chegou notificação, dá até um frio na espinha. Notificação na adolescência da Tânia e do Laélio era piscadinha de um olho só, um tchauzinho inesperado ou um bilhete escrito a próprio punho, no improviso, na “cara e na coragem”.

Um balanço branco, de metal, repleto de detalhes, incrementa a ornamentação da Fazenda. Mas não é qualquer balanço, qualquer item mero decorativo. “Esse balanço ficava na sacada da casa dos meus pais, lá no Centro, atrás onde hoje é o Banco Bradesco. A gente trouxe ‘pra’ cá. Foi nesse balanço que o Laélio me roubou o primeiro beijo.” Por décadas serviu para novos beijos e como namoradeira, né Tânia?

Passar por esta vida e não experimentar novos prazeres, novas sensações, novos sentimentos, novas percepções e motivos diferentes pelos quais o coração bate mais forte de emoção, não faz nenhum sentido. Se você conheceu este casal e a sua Fazenda, considere-se privilegiado. Tudo lá é feito com o maior carinho do mundo e encontra razão neste amor avassalador pela história, tradição, costumes, tropeirismo, folclore e pela arte serrana. O mundo é muito grande para conhecer só um pouquinho. Tem muita coisa bonita e de fazer as lágrimas rolarem pelo rosto, de alegria, nostalgia, saudade. Sejam todos bem-vindos!

Para sempre, Tio Lélo – Um compacto do que será para sempre excepcional em nossos corações

Tio Lélo, e sua esposa Tânia Ávila, exímios anfitriões da Fazenda do Barreiro, atualmente localizada entre Painel e Urupema [esta, a cidade mais fria do Brasil], mas com seu início em solo lageano. A Fazenda do Barreiro possui 262 anos [desde 1763] e atua há 40 anos no Turismo Rural.

Fundada nos anos 1.700 pelo português José Joaquim Pereira, é administrada pela 8ª geração da mesma família. Possui 18 apartamentos e oferece passeios a cavalo [cavalgada] pela Coxilha Rica e de trator com carreta, a oportunidade de participar da ordenha das vacas, danças gaúchas e gastronomia serrana.

Preserva as construções originais, sendo a mais histórica a Cozinha de Chão, uma construção totalmente de pedra. Uma forte característica da construção compreende as telhas moldadas diretamente na coxa, hoje em dia ainda preservadas.

Em seus museus, peças e utensílios utilizados pelos antepassados podem ser visualizadas e contempladas. Também trabalha com criação de gado de corte e cavalo crioulo. Acolhida, escuta e evidência. “A Fazenda Barreiro está de braços e portas abertas para bem receber nossos amigos. O Turismo Rural é a nossa vida, as nossas raízes, é o que deixaremos de marca para a história, e nos proporciona fazer boas e grandes amizades. Agradecemos à Prefeitura de Lages por lembrar e se preocupar com o Turismo Rural e por não deixar a chama apagar, pelo contrário, deverá ficar ainda mais potente a partir de agora. Todos devemos lutar e engrandecer o Turismo Rural lageano e brasileiro, para que cresça cada vez mais”, analisa Laélio Bianchini.

Texto: Daniele Mendes de Melo

Fotos: Toninho Vieira, Daniele Mendes de Melo e Marcos Heitor de Carvalho  

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