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O Obatalá – Movimento Negro de Lages realiza, no dia 8 de maio de 2026, às 19h30, no auditório do Centro de Ciências Exatas e Tecnologias (CCET) da UNIPLAC, o seminário de abertura da Formação em Cultura Afro-Brasileira com foco no protagonismo da mulher negra, curso gratuito destinado a 50 mulheres negras de Lages e região. O evento é aberto a toda a comunidade e pretende ser um marco no debate sobre ancestralidade, educação e equidade étnico-racial no município.

Promovido pelo Obatalá, o projeto é executado com apoio da Pastoral Afro de Lages e do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) da Universidade do Planalto Catarinense – UNIPLAC, e conta com a realização da Fundação Cultural PalmaresMinistério da Cultura e Governo Federal, por meio do convênio Transferegov.br nº 978334/2025. A formação é estruturada em dez encontros vivenciais, com oficinas sobre ancestralidade, cultura afro-brasileira, educação, saúde da população negra, contação de histórias e meio ambiente.

De acordo com a coordenadora do curso, professora Maria Odete da Costa, o seminário de abertura é também um espaço para reafirmar a centralidade da educação na luta antirracista e o papel da escola na valorização da cultura afro-brasileira.
A Lei 10.639/03 não é apenas uma exigência burocrática para as escolas, ela é uma conquista histórica do movimento negro e um compromisso pedagógico com a verdade sobre a nossa história”, enfatiza. “Quando a escola inclui a cultura e a história afro-brasileira em seu currículo, ela não está fazendo um favor à população negra; está formando melhor toda a sociedade, porque amplia o olhar de crianças, jovens e educadores sobre quem somos como país”, acrescenta.

O curso foi pensado para fortalecer o protagonismo da mulher negra a partir do autoconhecimento, da valorização da identidade e do enraizamento na cultura afro-brasileira. Segundo a coordenadora, o objetivo central é que cada participante se reconheça como potência transformadora em seu território.
Queremos que as mulheres que participarem dessa formação se vejam como educadoras em sentido amplo: dentro de casa, na comunidade, na escola, nos espaços de decisão. A educação para as relações étnico‑raciais não é responsabilidade só do professor em sala de aula, é uma tarefa coletiva”, afirma Maria Odete.

Durante o seminário, serão discutidos temas como protagonismo da mulher negraancestralidadehistória e cultura afro-brasileirapráticas pedagógicas antirracistas e o cumprimento da Lei nº 10.639/03. A proposta é articular reflexão teórica e compromisso político com a construção de políticas públicas que promovam a equidade e o respeito à diversidade étnico-racial.

Para a coordenadora, o fortalecimento da educação afro-brasileira nas escolas é condição para enfrentar o racismo estrutural desde a base.
Se a criança negra cresce sem se ver nos livros, nas histórias, nas referências positivas, ela internaliza uma mensagem de inferiorização; quando a escola assume a educação afro-brasileira como eixo do projeto pedagógico, ela envia outra mensagem: você pertence, você tem história, você tem valor”, pontua. “Por isso, iniciativas como este curso dialogam diretamente com professores, gestores e famílias, ajudando a transformar a escola em um espaço mais acolhedor e mais verdadeiro com a diversidade do povo brasileiro”, conclui.

Embora o curso tenha foco nas mulheres negras a partir de 18 anos, o seminário de abertura será aberto a toda a comunidade interessada no tema. A presença de educadores, lideranças comunitárias, gestores públicos, estudantes e representantes de instituições é vista pela organização como estratégica para aprofundar o debate sobre racismo estrutural e práticas educativas mais inclusivas no município.

O seminário também será um espaço para apresentar à comunidade a estrutura da formação, seus eixos temáticos e a rede de instituições envolvidas. A expectativa do Obatalá é que o curso se torne referência regional em educação para as relações étnico-raciais, contribuindo para o fortalecimento dos laços comunitários e para a consolidação de políticas educacionais alinhadas à legislação vigente.

As inscrições para a Formação em Cultura Afro-Brasileira com foco no protagonismo da mulher negra seguem abertas até 7 de maio de 2026 e podem ser realizadas por meio de formulário on-line. As vagas são destinadas prioritariamente a mulheres negras residentes em Lages e São Joaquim, e as participantes receberão certificação pela UNIPLAC ao final do curso.

 

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