
Instituto Paternidade Responsável registrou 178 atendimentos no primeiro semestre de 2026; ritmo atual aponta para crescimento de até 90% no volume anual, caso seja mantido até dezembro
O Projeto de Reconhecimento de Paternidade, desenvolvido pelo Instituto Paternidade Responsável (IPR) resultante de emenda parlamentar da deputada Luciane Carminatti, em Lages, apresenta crescimento significativo em 2026. Somente entre janeiro e junho, foram registrados 178 atendimentos e audiências, número que já representa 95,2% de todo o volume de 187 atendimentos contabilizado pelo Instituto ao longo de 2025.
Os dados mostram a evolução da demanda e da capacidade de atendimento da instituição, que há mais de duas décadas atua na garantia do direito à filiação, à identidade e à convivência familiar.
Em 2025, além dos 187 atendimentos, o Instituto registrou 72 reconhecimentos de paternidade e índice de 66,7% de resultados positivos nos exames de DNA. Já no primeiro semestre de 2026, o levantamento do projeto contabilizou 18 exames de DNA com resultado positivo e cinco negativos, além de diferentes encaminhamentos que permanecem em acompanhamento.
Crescimento no ritmo de atendimento
A comparação dos números evidencia a aceleração da atividade. Em 2025, a média foi de aproximadamente 15,6 atendimentos por mês. Já nos primeiros seis meses de 2026, a média chegou a 29,7 atendimentos mensais.
Se esse ritmo for mantido durante o segundo semestre, o projeto poderá chegar a aproximadamente 356 atendimentos até o final de 2026, o que representaria um crescimento estimado de 90,4% em relação aos 187 atendimentos registrados em 2025.
A projeção, entretanto, considera apenas a manutenção da média observada no primeiro semestre e não representa um número já contabilizado pelo Instituto.
Atendimento vai além do exame de DNA
O trabalho desenvolvido pelo IPR não se limita à realização dos exames. O projeto envolve acolhimento, orientação, mediação e acompanhamento das famílias, considerando as diferentes situações que chegam à instituição.
No primeiro semestre, foram registrados 10 casos de reconhecimento voluntário de paternidade. Também houve situações em que não houve interesse na continuidade do procedimento, mães não localizadas, processos judiciais, encaminhamentos para a Defensoria Pública, casos provenientes de outras comarcas e atendimentos no sistema prisional.
O levantamento também apontou casos que permaneciam em andamento, demonstrando que parte dos procedimentos necessita de acompanhamento posterior até sua conclusão.
Para o Instituto, o reconhecimento da paternidade deve ser compreendido como uma política de garantia de direitos. O registro do nome do pai representa não apenas uma questão documental, mas também o acesso da criança e do adolescente à identidade, à história familiar e aos direitos decorrentes da filiação.
Convênio com CAV/UDESC possui fluxo próprio
Um ponto importante na análise dos números é diferenciar os atendimentos realizados diretamente pelo projeto do Instituto daqueles relacionados ao programa de exames de DNA encaminhados pelo Poder Judiciário ao Centro de Ciências Agroveterinárias da Udesc (CAV/UDESC).
Nesse modelo, o Estado e o Poder Judiciário encaminham as demandas, enquanto o Instituto Paternidade Responsável participa da logística do processo, destinando ao laboratório as coletas realizadas nas diferentes comarcas para análise.
O programa é resultado de uma parceria que envolve UDESC, Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Ministério Público, Secretaria de Estado da Saúde, COSEMS/SC e Instituto Paternidade Responsável. O programa atende todas as comarcas catarinenses.
Por esse motivo, os números do projeto de atendimento do IPR em Lages não devem ser somados diretamente aos números de coletas e processos encaminhados pelo Judiciário ao laboratório da UDESC, pois são fluxos distintos dentro da política de reconhecimento de paternidade.
Mais de duas décadas de atuação
O Instituto Paternidade Responsável foi criado em Lages em 4 de julho de 2004 e atua na promoção da responsabilidade parental e do reconhecimento da filiação. Em 2026, a instituição completou 23 anos de atuação, consolidando uma trajetória marcada pela articulação com o Judiciário, instituições de ensino e a rede de proteção.
Dados divulgados pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina mostram a dimensão histórica dessa atuação: ao longo de 23 anos, foram entregues 22.761 laudos de DNA, com mais de 30 mil kits de coleta enviados e 23.223 casos recebidos no programa. Atualmente, segundo o TJSC, 481 processos tramitavam no Laboratório de DNA da Udesc, em Lages.
Direito à filiação
Com os 178 atendimentos registrados no primeiro semestre, o Projeto de Reconhecimento de Paternidade demonstra uma demanda que permanece elevada e que, em 2026, apresenta ritmo superior ao observado no ano anterior.
O fato de o primeiro semestre já representar 95,2% de todo o volume registrado em 2025 reforça a dimensão alcançada pelo projeto e a necessidade de continuidade das ações de acolhimento, mediação e orientação às famílias.
Para o Instituto Paternidade Responsável, garantir o reconhecimento da paternidade significa assegurar um direito fundamental da criança e do adolescente.
Ser pai é uma escolha. Ser filho é um direito.

























