“Orgulho Lageano… Não sei se bem mereço esse título, mas, como estou em Lages já há 14 anos, como gratidão a esta cidade, procuro colaborar com o lapidar das riquezas do município, e sendo agrônomo, na área de frutas, retribuição expressa aos lageanos.” – Roberto Akitoshi Komatsu   

Quem já teve o privilégio de conhecer o professor Komatsu tem um carinho enorme por ele. Uma pessoa agradável, carismática, reservada, discreta, sensível na medida certa. Competente, inteligente, intelectual, profissional disciplinado e um exímio conhecedor das belezas geradas pelo milagre da transformação da natureza, a vida em suas diversas formas de se mostrar. Bem sorridente e de gargalhadas inconfundíveis. Trabalhador, proativo, agitado e inquieto no sentido de ágil, de não se conformar e fazer acontecer. Professor Komatsu é a tradução e significado mais fiéis do que é gostar do que faz. E o resultado é um trabalho irreparável, conceituado, exemplar, modelo e referencial regional e estadual, e sim, nacional, logo no futuro, por meio da literatura científica. O capricho é sua marca registrada.

Roberto Akitoshi Komatsu está no auge dos seus 57 anos, dos quais praticamente a metade (27 anos) dedicados à carreira profissional, envolvendo período de assistência técnica a produtores rurais e como professor, e encanta a comunidade acadêmica por sua paixão pelo meio ambiente.

Engenheiro agrônomo com especialização em Docência para Educação Profissional e Mestre e Doutor em Agronomia, atualmente Komatsu atua como professor do ensino básico, técnico e tecnológico no Instituto Federal de Santa Catarina (Ifsc) – campus Lages. Seus enfoques de atuação são: Ensino – Formar novos profissionais com capacidade crítica de inovar no sistema produtivo e de gestão das propriedades agrícolas. Já na Extensão e Pesquisa, difundir práticas de manejo das frutas nativas, agregando valor dentro do sistema de agrofloresta.

Komatsu já trabalhou prestando assistência técnica a produtores de uva e hortaliças em Marialva, no Paraná; também em uma fábrica de chapa de aço e beneficiamento de arroz, em Higashi Hiroshima, no Japão; professor universitário na Faculdade Integrado de Campo Mourão, Paraná, e como professor do ensino básico, técnico e tecnológico no Ifsc de Urupema, de 2011 a 2015. Migrou para Lages há dez anos, quando saiu do trabalho em Urupema.

Hoje em dia, professor Komatsu está engajado em um Projeto de Extensão envolvendo Agrofloresta e Frutas Nativas e no Projeto de Ensino sobre Manutenção e Uso de Microtrator para a Agricultura Familiar.

Várias atuações na área da agroecologia compõem seu currículo – 

– Como engenheiro agrônomo: Prestação de orientação técnica à produção de uva fina de mesa e hortaliças em estufa

– Professor: Em Campo Mourão, Paraná, na Faculdade Integrado de Campo Mourão, lecionou aulas em Fruticultura, Hortaliças e Extensão rural, trabalhando com pesquisas voltadas para manejo de doenças em maracujá, trigo e soja com produtos orgânicos

– Professor: Em Urupema deu aulas para Formação Inicial Continuada de Produção Orgânica – Técnico em Fruticultura. Atuou como coordenador de curso técnico em Fruticultura. Na Pesquisa: Estudos de características físicas de frutos, composição centesimal, época de florescimento e colheita de uvaia

– Professor: No município de Lages, aulas nos cursos técnicos em Agroecologia, Gestão do Agronegócio e curso superior de Tecnologia em Gestão do Agronegócio, Especialização em Fruticultura de Clima Temperado e Agroecologia. Na Pesquisa: Diferença genética de acessos de uvaia, composição centesimal de goiaba-serrana e araçá vermelho. Na Extensão: Oficinas para produtores rurais e alunos do ensino fundamental 1, sobre importância das frutas e produção gastronômica com goiaba-serrana, uvaia, araçá vermelho e butiá. “A médio prazo, pretendo organizar mais de dez anos de pesquisa com frutas nativas na região serrana e lançar uma publicação sobre o assunto, envolvendo diferentes áreas e pesquisadores, características físico-químicas e genéticas, manejo da cultura e potenciais gastronômicos.”

Um mestre fascinado pela arte de educar

– Para quantos alunos o senhor já lecionou em toda a sua vida, até hoje?

“Imagino mais de 1.000 alunos. Hoje leciono para 18 alunos, em duas disciplinas do Técnico em Agroecologia – Projeto de Vivência e Produção Vegetal 4, e uma disciplina no Tecnólogo em Gestão do Agronegócio – Cadeias Produtivas de Culturas Frutíferas.”

Nada melhor do que saber mais sobre o professor Komatsu e seu trabalho por ele próprio

– Herança familiar – Por que o senhor escolheu esta área como profissão?

“Influência do meu tio Valdir Yuki. Foi agrônomo e pesquisador de doenças de plantas, isto o que mais influenciou na decisão para ingressar na Agronomia. Decisão por trabalhar com frutas. Creio que o desafio de uma complexidade maior na condução da cultura, principalmente as frutas de clima mais frio, e por gostar de fisiologia e nutrição das frutas.”

– Suas motivações para continuar nesta área até hoje e querer permanecer no futuro?

“Motivação maior é Deus, criador dessa nossa ‘casa’, e continuar contribuindo com o desenvolvimento das frutas nativas na Serra Catarinense.”

– Quais os mais expressivos desafios da profissão, professor?

“Como professor vejo que o maior desafio seja eu mesmo, de continuar com capacidade de contribuir com a formação ética, técnica, crítica, social e inovadora dos futuros profissionais que irão atuar no mercado de trabalho, que está em constante renovação e, ao mesmo tempo, com suas culturas e tradições, ainda assim, serem agentes de melhoria no desenvolvimento regional onde atuarão.”

– E quais os maiores desafios nestes projetos e pesquisas?

“Na Extensão e Pesquisa, manter sempre os canais abertos para a sociedade, escutando seus anseios, problemas, e procurar contribuir com suas resoluções e retornar a esse público com melhorias.”

– Os avanços favorecidos por estes projetos e pesquisas. Quais o senhor elenca?

“Impactos dos projetos de pesquisa com as frutas nativas têm sido lentos, mas crescentes, em relação ao seu resgate (algumas fruteiras estavam marginalizadas ou esquecidas quanto ao seu saber); valorização por parte de produtores (iniciando novos plantios, ampliando outros, melhoria na condução da cultura no campo, agregando valor), e uso por restaurantes e chefs em produções gastronômicas para o público da Serra Catarinense.”

– Contribuições econômicas, de desenvolvimento e sociais destes projetos e pesquisas?

“Contribuição econômica: Ainda está no início. Com a apropriação dos conhecimentos técnicos, os produtores estão com qualidade melhor das frutas nativas, consequentemente, melhoria no valor recebido por eles.

Contribuição social: Creio que ampliando as opções para obtenção de renda no meio rural, mais produtores se envolvendo e, no caso do processamento das frutas (compotas, farinhas, geleias, chimias, entre outros), inclusão da mão de obra feminina e dos jovens como agregação de valor nas propriedades rurais, bem como perspectiva de inclusão nas hospedagens rurais e impactos no turismo rural regional envolvendo esses atores nessa cadeia produtiva.”

– De que maneira vocês atuam para que estes projetos ultrapassem as salas de aula e as escolas e se tornem efetivamente práticas e hábitos na sociedade?

“Os resultados de pesquisa têm sido apresentados em oficinas e em palestras técnicas para produtores e produtoras rurais da região de abrangência da Amures [Associação dos Municípios da Região Serrana]. Com isso, tem-se trabalhado em conjunto com profissionais da rede pública, extensionistas sociais e técnicos da Epagri [Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina] e secretários e/ou técnicos das secretarias de Agricultura, buscando a implementação da cadeia produtiva das frutas nativas, desde o conhecimento, acompanhamento técnico no campo, pré e pós colheita, agroindústria, e canais curtos de comercialização.”

– Parceiros de caminhada: Quem são os idealizadores destes projetos, professor?

“Uma andorinha só não faz verão, por isso, sempre procurando trabalhar com equipe, multidisciplinar. No projeto com frutas nativas, na parte produtiva e caracterização físico-química, Ana Paula Veeck, Michael Nunes e Leilane de Conto.”

– Quantos alunos estes projetos e pesquisas já beneficiaram?

“Entre alunos de nível técnico, graduação, mestrado e doutorado, voltados para o tema de frutas nativas, mais de 20 alunos.”

– Quais seus planos para o futuro, em relação a projetos e pesquisas?

“Dar continuidade aos estudos com frutas nativas, direcionados para multiplicação dos acessos que têm se destacado para processamento de frutas, visando às agroindústrias.”

– O geminiano paulista louco por Lages 

“Sou nascido em Guaraçaí, Estado de São Paulo. Estamos há 14 anos em Lages. Moro no bairro Copacabana.”

Komatsu nasceu em 5 de junho, portanto, no período correspondente a Gêmeos, o terceiro signo astrológico do Zodíaco – 21 de maio a 20 de junho. Como características, um signo versátil e curioso.

O signo do Zodíaco mais conhecido por sua dualidade, versatilidade, adaptabilidade, curiosidade infinita, agilidade e amplas habilidades. Regidos por Mercúrio, o planeta da comunicação, os geminianos são aquelas pessoas sempre em busca de novas experiências, conhecimentos e conversas interessantes inerentes a conteúdos produtivos.

Alegres e sociais, as pessoas que têm Gêmeos no signo são peculiares pela busca do novo. São relacionadas a atividades criativas, como ler, viajar e escrever.

Mudança e transformações são ações extremamente presentes em todos os sentidos na vida do geminiano. Podem ser grandes conversadores e contadores de histórias. Têm estilo boho, moderno e clássico.

– Mais uma parte bem interessante da vida do professor Komatsu – Sua história oriental

“Eu e minha esposa somos a segunda e terceira geração de imigrantes japoneses. Somos paulistas; eu morei em Araçatuba, e a esposa é de Marília, onde se encontram grandes aglomerados de nikkeys (mais de 1.000 descendentes). Fomos estudar Agronomia e Processamento de Dados em Maringá, Paraná, onde nos conhecemos. Após formados acabamos indo trabalhar no Japão, para juntar recursos e adquirir imóvel próprio, e conhecemos de perto nossas raízes. Namoramos, casamos e em 2000 retornamos {ao Brasil} em definitivo. Moramos em Maringá e Campo Mourão, Paraná, onde iniciei atividades como professor. Através de concurso público, estamos desde 2011 aqui na Serra Catarinense, e em 2017 meu pai veio morar em Lages, onde conhecemos a Associação Nipo {Nipônica} de Lages, com a qual desde então temos colaborado nas atividades.”

– E suas origens? 

“Meu papai é Susumu Komatsu, era empresário na área de viveiro de mudas, falecido em dezembro de 2022. Mamãe é funcionária pública municipal, na área da saúde. Tenho três irmãosElza Fumie Komatsu Takara, 58 anos, fonoaudióloga; Hélio Takashi Komatsu, 55 anos, estatístico, e Cecília Yukie Komatsu Ito, 52 anos, funcionária no setor industrial de produtos de higiene.”

Professor Komatsu e sua família

“Sou casado com Cristina, esposa querida e amada. Atualmente ela é aposentada. Temos dois filhos – Ian (24 anos) e Igor (20 anos), nascidos em Maringá, PR. Atualmente são estudantes universitários e trabalham na empresa de produção de mídia VJ Marketing Médico Ltda..”

– Qual sua relação com a Associação Cultural Nipo-Brasileira de Lages – ACNBL? 

“Esposa, eu e filhos somos colaboradores nas atividades, como, confraternizações de início e final de ano, Festival Japonês desde 2018, e este ano colaboramos na gincana familiar conhecida como “undoukai’”.

– De que forma vocês e a Associação Nipônica de Lages desenvolvem, idolatram e cultuam a história, cultura e costumes orientais?

“Procuramos manter viva a cultura japonesa através dos eventos, culinária e artesanatos.”

– E o tênis de mesa na sua vida? 

“Tênis de mesa, que para muitos é conhecido como pingue-pongue, entrou na vida da família em 2011, quando procuramos uma atividade esportiva para envolver as crianças, e desde então temos participado dos treinos e torneios regionais e estaduais. O esporte proporciona desenvolvimento social, do corpo, e respeito pelos adversários.” Professor Komatsu compõe a Associação Lageana de Mesatenistas de Santa Catarina (Almesc).

Quais outras instituições e atividades o professor Komatsu integra? 

“Sou evangélico, ou protestante, desde 1981, e aqui em Lages participamos da igreja Revolução Church, em que temos crescido como pequenos Cristos, o que tem moldado dia a dia meu caráter e dos familiares, sendo local também de convívio com demais pessoas, fortalecendo uns aos outros e na fé, esperança e no amor de Cristo Jesus. Todos os quatro membros da família servem em algum Ministério na Igreja local.”

– Ficou mais curioso ainda? Então, com vocês, o Roberto!

– Sua crença ou religião, professor Komatsu?

“Sou protestante.”

– Seus hobbies?

Hobby: Ler livro, passear com a família.”

– Gosta de futebol? Seu time? 

“Torcedor do São Paulo Futebol Clube.”

– Sua mania?

“Coçar a cabeça.”

– Curiosidades sobre você 

“Pessoa não muito organizada.”

– Inspiração na vida? 

“Tenho como inspiração o apóstolo Paulo de Tarso.”

– Um fã seu? 

“Creio que meus filhos.”

– Um livro? 

“Coletânea dos livros de Nárnia.”

Filme? 

Transformers. O primeiro filme me chama a atenção. Civilizações diferentes, com suas qualidades e defeitos, mas procurando viver em harmonia, respeito e colaboração.”

– Uma música?

“É ele – Drops INA.”

Refere-se ao grupo de louvor e adoração da Igreja Nova Aliança (INA) de Londrina, Paraná. O nome “Drops” – inglês – significa “gotas”, representando pequenos vislumbres da glória de Deus que podem ser experimentados pela adoração. “Pequenos vislumbres da glória de Deus”, uma forma de “gotas” da Sua presença que podem ser sentidas e experimentadas durante a adoração. O Ministério surgiu em 2015 com o objetivo de levar famílias a Deus por meio de canções inspiradoras.

– Cantor/banda? 

“Cantor Luciano Manga; banda Oficina G3.”

– Cor preferida? Uma roupa? Perfume predileto?

“Cor verde da bandeira do Brasil; roupa mais descolada e que deixa à vontade, bermuda, e perfume: Kaiak.”

– Prato favorito?

 “Feijoada.”

– Bebida? 

“Soda italiana de maçã verde.”

– Um lugar inesquecível já visitado?

“Parque de Nara, município de Nara, Japão.”

Aos pés do Monte Wakakusa, em 1880. E cheio de cervos doces e amistosos. O cenário natural do Parque Nara inclui templos em bosques intocados e um lago repleto de tartarugas e carpas. Os templos e santuários de Nara são bem mais antigos do que os edifícios reconstruídos de Quioto e bem mais originais. [Fonte: Japan National Tourism Organization]

– Lugar desejado para conhecer?

Verona, na Itália.”

– Uma viagem

Itália.”

– Dia inesquecível?

“Dia 2 de junho de 1995, quando Cristina Shigueko aceitou ser minha noiva!”

– Saudade?

Brincar nas ruas de Araçatuba, em São Paulo.”

– Uma frase?

“Tu te tornas responsável por aquilo que cativas.”

– Seu lema?

“Confiar em Jesus Cristo em todas as decisões da vida.”

– Seu sonho? 

“Conhecer algumas cidades da Itália.”

– Projeto de vida?

“Publicar um livro sobre as frutas nativas.”

Seus planos para o futuro? 

“Publicar um livro sobre as frutas nativas.”

– Uma meta?

“Manter-me firme nas promessas de Jesus Cristo.”

– Uma esperança? 

“Vida eterna com Cristo Jesus.”

– Seu desejo?

“Continuar feliz com Deus e minha família.” 

– Um desejo para a agroecologia de Lages? 

“Agroindústrias agroecológicas.” 

– Desejo para a agroecologia do Brasil e do mundo? 

“Integração entre os pesquisadores, extensionistas, produtores, comerciantes e consumidores.”

– Seu desejo para a cidade de Lages? 

“Manter as tradições e, ao mesmo tempo, seguindo com o desenvolvimento regional e, acima de tudo, dos lageanos.”  

– O desejo para o Brasil e para o mundo? 

“Salvação em Cristo Jesus.”  

– O que é Lages para você?

“Povo acolhedor.”

– Quem é você? Quem é o Roberto? Como pode se descrever? 

“Sou uma pessoa tranquila, com expectativas na maioria das vezes em alta, quanto às pessoasagendas e a Deus.”

– Por que é legal ser um Orgulho Lageano?

“Orgulho Lageano… Não sei se bem mereço esse título, mas, como estou em Lages já há 14 anos, como gratidão a esta cidade, procuro colaborar com o lapidar das riquezas do município, e sendo agrônomo, na área de frutas, retribuição expressa aos lageanos.”  

– Seu conselho para a juventude e conselho para a humanidade?

“Buscar a Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo como projeto de vida prático, nas áreas do corpo, mente, alma e espírito, e serás feliz.”

Vem para o Insta para saber mais sobre a vida do professor e suas tarefas educadoras e inovadoras: @ra_komatsu – Instagram.

Obrigada, Professor Komatsu, por sua coragem, ousadia, discernimento, otimismo e perseverança pela educação no Brasil, como defensor do dom de ensinar e do progresso de Lages, da Serra e de Santa Catarina, e pela nítida paixão pelo o que faz, com maestria.

Texto: Daniele Mendes de Melo

Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação