Novo laudo não aponta risco de desmoronamento da encosta, confirma a necessidade de manter o hospital fora da área e recomenda a revisão do projeto de estabilização
A Prefeitura de Correia Pinto recebeu o novo Laudo de Avaliação Geotécnica da área do Hospital Municipal Faustino Riscarolli, elaborado pela BSE Engenharia Geotécnica e Ambiental.
Emitido em 9 de julho de 2026, o documento tem como referência principal a inspeção presencial realizada em 4 de julho, abrangendo o prédio do hospital, a encosta adjacente e seu entorno. O estudo também analisou laudos, projetos e investigações produzidos anteriormente sobre a área.
Entre as conclusões mais relevantes para a comunidade, especialmente para as famílias que residem nas proximidades, está a de que o novo laudo não caracteriza os deslocamentos como movimentos muito rápidos nem descreve um cenário de desmoronamento súbito e imediato de todo o morro.
Essa conclusão, contudo, não significa que a área esteja estabilizada ou que dispense cuidados. O documento confirma a existência de movimentações no terreno, aponta que elas são progressivas e alerta que chuvas intensas podem provocar novos episódios de instabilização.
Quanto à obra de estabilização, o novo laudo conclui que o projeto anteriormente elaborado deve ser aproveitado como base técnica, mas precisa ser revisto e aprofundado antes da execução de qualquer solução definitiva.
Na verdade, o estudo reconhece a validade das investigações anteriores, mas identifica indícios de superfícies de ruptura mais profundas e recomenda a revisão do modelo geomecânico e a análise técnico-econômica antes da execução de uma obra definitiva.
O projeto anterior não foi descartado
Existe na comunidade a informação de que um estudo anterior já teria definido uma obra capaz de resolver definitivamente o problema da encosta e que, por isso, bastaria à Prefeitura iniciar sua execução. O novo laudo demonstra que a situação é mais complexa.
Em 2024, a empresa REGEA – Geologia, Engenharia e Estudos Ambientais elaborou um projeto executivo de estabilização. Para esse trabalho, foram realizadas sondagens físicas e elétricas, instalados piezômetros para acompanhamento da água no subsolo e implantados marcos de monitoramento topográfico.
A BSE reconhece expressamente que foi realizada uma investigação ampla e adequada do subsolo e que as medidas adotadas — sondagens, piezômetros e marcos topográficos — foram corretas e necessárias. Esses dados foram utilizados como material-base para a nova inspeção e contribuíram para a identificação dos processos geomecânicos em andamento.
Portanto, o novo documento não desconsidera o projeto anterior nem retira o valor dos estudos já realizados. Ao contrário, reconhece sua importância e utiliza as informações produzidas como fundamento para a nova avaliação.
A questão central é que a inspeção mais recente identificou sinais de que o mecanismo real de movimentação pode ser mais profundo e mais complexo do que aquele considerado originalmente.
Novo laudo identifica indícios de superfícies de ruptura mais profundas
O projeto anterior considerou principalmente superfícies potenciais de ruptura de formato circular, com início próximo ao platô onde está o hospital e término aproximadamente entre as cotas 867 e 860 metros.
Entretanto, durante a inspeção de julho de 2026, foram encontrados indícios de camadas profundas de baixa resistência, inclusive próximas às cotas 850 e 840 metros.
Essas camadas podem favorecer superfícies de ruptura não circulares, mais profundas e horizontalizadas.
Por isso, o novo laudo conclui que as superfícies consideradas no projeto anterior não reproduzem integralmente a situação atualmente observada em campo, especialmente a possibilidade de movimentos em níveis mais profundos.
Diante disso, o documento recomenda a revisão dos modelos geomecânicos e das análises de estabilidade, considerando superfícies potenciais de ruptura não circulares que passem pelas cotas 850 e 840 metros.
O documento afirma que somente depois da elaboração desse novo modelo geomecânico será possível projetar uma solução de estabilização adequada aos fatores de segurança previstos nas normas técnicas.

Por que o projeto anterior precisa ser reavaliado antes da obra?
Em termos práticos, o novo laudo informa que não é tecnicamente recomendável executar automaticamente o projeto anterior sem verificar se ele contempla o mecanismo mais profundo de movimentação da encosta.
Uma obra de estabilização deve ser dimensionada a partir de um modelo geomecânico que represente adequadamente as superfícies potenciais de ruptura. Caso os movimentos ocorram em profundidade maior do que a considerada originalmente, uma solução dimensionada apenas para camadas mais superficiais pode não alcançar o resultado esperado.
Por isso, o estudo recomenda: revisão do modelo geomecânico; análise de superfícies de ruptura não circulares e mais profundas; retirada de amostras indeformadas dos materiais de baixa resistência; realização de ensaios de resistência ao cisalhamento; retroanálises confrontando os cálculos com os movimentos já ocorridos; elaboração ou revisão da solução de estabilização e análise técnica e econômica da viabilidade da obra.
Assim, não iniciar imediatamente uma obra com base exclusiva no projeto anterior não caracteriza omissão. A medida evita que recursos públicos sejam aplicados em uma solução que precise ser modificada posteriormente ou que não corresponda integralmente às condições reais da encosta.
O próprio laudo recomenda que, depois de estabelecida a nova solução, seja realizada uma análise técnico-econômica e definido um plano para a ocupação futura das áreas afetadas, incluindo hospital, residências, caixa-d’água e demais infraestruturas.
O novo laudo não autoriza a execução automática do projeto anterior: recomenda sua reavaliação. Nesse contexto, aprofundar os estudos antes de aplicar recursos públicos constitui cumprimento da orientação técnica mais recente e cuidado com a segurança da população e com o patrimônio público.
Movimentações são lentas, mas continuam ocorrendo
O laudo explica que a encosta apresenta trincas, degraus, deformações e cicatrizes de movimentações anteriores. Também foram identificados sinais de instabilidade em diferentes cotas do terreno, desde a área próxima ao hospital até pontos mais baixos da encosta.
De acordo com a avaliação dos engenheiros, novos episódios de movimentação vertical e lateral podem ocorrer, especialmente durante períodos de chuva intensa.
Por outro lado, considerando o histórico da área, a geometria da encosta e as características dos materiais encontrados, o estudo estima que as velocidades máximas dos deslocamentos fiquem, inclusive em eventos de grande precipitação, na ordem de centímetros por dia.
O documento afirma expressamente que esse comportamento não se caracteriza como movimento muito rápido.
Em termos técnicos, o laudo não caracteriza os deslocamentos como movimentos muito rápidos. Ainda assim, a área permanece instável e apresenta movimentação lenta e progressiva, que precisa ser acompanhada por instrumentos técnicos para que eventuais alterações sejam identificadas e avaliadas.
Residências próximas não precisam ser interditadas neste momento
O novo laudo avaliou especificamente as residências localizadas na parte baixa da encosta, especialmente os imóveis situados ao norte da escadaria.
A conclusão técnica é de que, devido às baixas taxas de movimentação e à ausência, até o momento, de danos ou sinais associados a deslocamentos de maior intensidade na área ocupada, não é recomendada a interdição dessas residências na situação atual.
Assim, não existe, neste momento, recomendação técnica para evacuação ou retirada preventiva dos moradores.
O laudo, contudo, recomenda o início imediato do monitoramento topográfico das edificações e dos terrenos, permitindo a obtenção de dados objetivos sobre o comportamento da área.
A área exige atenção e monitoramento permanente
A inspeção presencial e as imagens obtidas por drone confirmaram a existência de diversos sinais de instabilidade. Na parte superior da encosta, próxima ao hospital, foram observadas rupturas, trincas e deformações no terreno. Em uma área intermediária, foi registrado um degrau provocado pelo deslocamento, com aproximadamente meio metro.
Na parte inferior da movimentação mais ativa, os técnicos identificaram compressão do terreno suficiente para levantar e deformar parte da estrutura de concreto da escadaria.
A recomendação de permanência poderá ser revista caso o monitoramento identifique alteração na velocidade ou na direção dos deslocamentos, ou caso sejam observados novos danos e sinais de movimentação na área habitada.
A Prefeitura continuará acompanhando tecnicamente a situação, adotando as medidas necessárias para que qualquer mudança relevante seja identificada e comunicada aos moradores.
O laudo também alerta que não pode ser descartada a existência de superfícies de ruptura mais profundas do que aquelas inicialmente consideradas em projetos anteriores.
Por esse motivo, além do monitoramento, os engenheiros recomendam a reavaliação do modelo geotécnico e das alternativas de estabilização da encosta antes da execução de uma solução definitiva.
Por que o hospital precisou ser transferido?
A situação do prédio hospitalar é diferente da situação das residências próximas. Durante a inspeção, os profissionais identificaram diversas manifestações relacionadas aos deslocamentos diferenciais da estrutura, entre elas: trincas e fissuras em paredes e tetos; deformações no piso; cerâmicas soltas; infiltrações; afastamento do calçamento em relação ao prédio; separação da rampa de emergência; afastamento entre paredes; danos anteriormente reparados que voltaram a apresentar sinais de movimentação.
O documento registra que, no momento da inspeção, as deformações estruturais observadas ainda eram pequenas. O laudo ressalva, contudo, que a progressão esperada dos movimentos poderá causar danos cada vez mais acentuados, afetando a operação do prédio, os equipamentos e, em último caso, levando à impossibilidade de funcionamento do hospital.
Os técnicos destacam que não é possível estabelecer um prazo seguro para essa evolução, pois ela depende de fatores que não podem ser totalmente controlados, como a resistência do subsolo e a pressão da água existente nos materiais.
Hospital exige nível de proteção mais elevado
Um hospital funciona continuamente e reúne pacientes internados, pessoas com mobilidade reduzida, profissionais, acompanhantes, equipamentos e sistemas essenciais.
Em uma eventual necessidade de evacuação, especialmente durante a noite ou em período de chuva intensa, muitos pacientes poderiam ter dificuldade para deixar o prédio com rapidez e segurança.
A análise de risco não considera apenas a possibilidade de movimentação do terreno. Ela também leva em conta as consequências que um evento pode provocar e as características das pessoas e estruturas expostas.
Nas residências da parte baixa, o laudo não identificou danos ou sinais que justifiquem a interdição imediata. Por isso, a orientação é permitir a permanência dos moradores, acompanhada de monitoramento.
No hospital, entretanto, já existem danos relacionados às deformações do terreno, além da presença contínua de pessoas vulneráveis e de serviços que não podem ser simplesmente interrompidos ou evacuados com facilidade.
Por isso, o nível de precaução exigido para o hospital é significativamente maior.
Laudo recomenda manutenção da interdição
O laudo apresenta duas alternativas técnicas: a manutenção da interdição total do prédio hospitalar ou a utilização parcial apenas da área indicada em verde, condicionada ao cumprimento de restrições rigorosas.
Na hipótese de utilização parcial, o funcionamento ficaria sujeito, cumulativamente, às seguintes condições: atendimento restrito a casos de baixa complexidade, sem permanência de pessoas durante o período noturno; interrupção do atendimento e retirada de pacientes, servidores e prestadores durante eventos de maior precipitação; implantação de plano permanente de monitoramento geotécnico e estrutural da encosta e do prédio; interrupção dos sistemas de abastecimento de água, oxigênio e gás na parte interditada.
Essas condições são incompatíveis com o funcionamento normal de um hospital, que precisa manter atendimento contínuo, urgência, emergência, internações e permanência noturna.
O próprio laudo ressalta que a situação não é estática. Mesmo a eventual utilização parcial dependeria da administração municipal e da equipe de monitoramento, que assumiriam a responsabilidade de avaliar continuamente o comportamento do terreno e da estrutura.
Não há contradição entre manter as residências e retirar o hospital
Permitir que os moradores permaneçam em suas residências e, ao mesmo tempo, manter o hospital fora da área não representa contradição.
As decisões são diferentes porque também são diferentes as características das construções, os sinais observados, o número de pessoas expostas e as consequências de uma eventual movimentação.
No entorno das residências avaliadas, não foram identificados, até o momento, danos ou sinais que justifiquem a retirada dos moradores.
No hospital, já existem deformações e danos associados aos movimentos do terreno. Além disso, a estrutura precisa funcionar 24 horas e abriga pessoas enfermas, internadas ou com dificuldades de locomoção.
A medida adotada busca evitar que pacientes, servidores e profissionais sejam expostos a uma situação em que uma evacuação emergencial possa se tornar necessária.
Transferência foi preventiva e tecnicamente fundamentada
O novo laudo reforça que a transferência dos atendimentos foi uma decisão preventiva, tecnicamente fundamentada e necessária para garantir a segurança de pacientes, profissionais e demais usuários.
A interdição do antigo prédio não representa o fechamento do hospital nem a interrupção dos serviços de saúde. Os atendimentos foram transferidos provisoriamente para uma estrutura mais segura.
O funcionamento do antigo hospital somente poderia ocorrer dentro de limitações que impediriam internações, atendimento noturno e continuidade dos serviços durante períodos de chuva.
Manter todos os serviços na antiga estrutura significaria desconsiderar as restrições expressamente estabelecidas pela equipe técnica.
PRÓXIMAS ETAPAS TÉCNICAS
O novo laudo indica que as próximas ações devem seguir uma ordem técnica:
- implantação do monitoramento topográfico das residências e terrenos;
- monitoramento geotécnico da encosta;
- acompanhamento das condições estruturais do antigo hospital;
- revisão do modelo geomecânico;
- análise das possíveis superfícies de ruptura mais profundas;
- realização de novos ensaios nos materiais de baixa resistência;
- definição ou revisão da solução de estabilização;
- análise técnica e econômica da viabilidade da obra;
- definição do plano futuro de ocupação do hospital, das residências e das demais estruturas afetadas.
Portanto, a próxima etapa não consiste simplesmente em executar ou deixar de executar o projeto anterior. Consiste em aproveitar os estudos já realizados, incorporar as novas evidências encontradas e definir uma solução que efetivamente corresponda às condições reais da encosta.
Informação responsável, sem alarmismo e sem omissão
A Prefeitura reforça quatro informações fundamentais:
O laudo não caracteriza os deslocamentos como movimentos muito rápidos nem aponta desmoronamento súbito e imediato de todo o morro.
Não existe recomendação de interdição das residências próximas na situação atual.
O hospital precisa permanecer fora da área porque as restrições estabelecidas são incompatíveis com seu funcionamento regular.
A obra de estabilização precisa ser precedida pela revisão e pelo aprofundamento dos estudos, porque foram identificados indícios de superfícies de ruptura mais profundas do que aquelas consideradas anteriormente.
A divulgação dessas informações busca garantir transparência, tranquilizar os moradores e esclarecer que a ausência de uma obra definitiva até o momento não significa falta de providências.
Significa que a solução precisa ser construída com responsabilidade técnica, segurança e cuidado na aplicação dos recursos públicos.
Fotos/Texto: SECOM – PMCP
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