blank

Por Joacir Dal Sotto *

Há muito tempo que eu não escrevia, para ser exato, há 5 anos, 2 meses e 3 dias que não me sento para escrever, bem na verdade, quando eu escrevia, não existia grandeza maior que o ato de escrever, agora que escrevo é possível perceber um outro universo, na realidade é uma comparação de planetas, de momentos, de lutas que trouxeram derrotas e vitórias.
Eu não vejo que sou mais sábio ou mais tolo, o que eu sou é por si só uma vitória, nós, os escritores, os solitários, os que percebem o dolorido da caminhada antes mesmo da própria caminhada, nós aprendemos sobre espinhos para evitarmos quaisquer ferimentos, os ferimentos, até parecem que são feridas que não cicatrizam, é preciso ter cuidado quando falta um hospital, mas é preciso ter bem mais cuidado quando não existem médicos no vilarejo.
A carta ou manifesto que escrevo, é uma tentativa de libertação, no fundo eu sei do efeito do vinho e dos malefícios da coletividade que tenta barrar qualquer comunicação com o mundo pacífico dos poetas, é sabido que muitos espíritos tentam barrar o que está sendo dito por uma alma faminta de atenção, é sabido que muitos espíritos tentam tirar o brilho daquilo que grita na alma.
Certo dia, eu chorava, hoje, eu tento sorrir. São tantas lágrimas que correm pelos rostos desesperançados dos desgraçados de coração, são tantos momentos depressivos e de uma depressão intrínseca ou extrínseca, na verdade é de pouca importância de onde nasce o sofrimento, os bons estão para evitar que alguém sofre, os bons não devem permitir que o sofrimento ganhe palco para o discurso.
Enfim, do pouco que eu tinha para dizer, é tudo o que eu tenho para dizer.

* Escritor, Filósofo e Poeta.