Na tarde do dia 12 de março, lideranças religiosas de matriz africana e representantes do projeto “Que terreiro é esse?” participaram de uma reunião institucional com o presidente da Câmara de Vereadores de Lages, o advogado Maurício Batalha, com o objetivo de discutir caminhos para a formalização das casas de culto afrorreligiosas no município.

O encontro teve como foco orientar sacerdotes e lideranças sobre procedimentos legais e institucionais que permitam às casas religiosas acessar direitos, garantir segurança jurídica e fortalecer a organização das comunidades tradicionais de matriz africana na cidade.

Durante a reunião, o presidente da Câmara destacou a importância do diálogo entre o poder público e as lideranças religiosas, ressaltando que a aproximação institucional pode contribuir para a construção de políticas públicas que respeitem a diversidade religiosa e assegurem direitos.

O coordenador do projeto “Que terreiro é esse?”, o jornalista Marciano Corrêa, pela Associação Cultural Matakiterani, apresentou o histórico de ações desenvolvidas ao longo de quase 15 anos de atuação voltada à valorização da cultura afro-religiosa em Lages. Entre as iniciativas destacadas estão a produção de documentários, cartilha de mapeamento das casas religiosas, site institucional, web série, cobertura de eventos culturais e oficinas de tambor, além de diversas ações de comunicação voltadas à divulgação das tradições afro-brasileiras.

Segundo Marciano Corrêa, todos os projetos têm sido realizados com o propósito de gerar benefícios para a comunidade religiosa, ampliando a visibilidade das práticas culturais e espirituais e promovendo o reconhecimento dessas tradições na sociedade.

Para a Yalorixá Charlena de Oxalá e o Babalorixá Everson de Ogum, presentes na reunião, o momento representa um passo importante para o fortalecimento das religiões de matriz africana no município.

Segundo as lideranças, é urgente construir novos caminhos para as comunidades religiosas em Lages, ampliando o reconhecimento e a valorização dessas tradições. Eles destacam que a formalização das casas de culto também contribui para que os terreiros possam ocupar espaços institucionais, garantir direitos e fortalecer sua presença na sociedade.

Além das ações culturais, o projeto “Que terreiro é esse?”, por meio da Associação Cultural Matakiterani, também desenvolve oficinas de elaboração de projetos culturais, incentivando novas lideranças e proponentes da área cultural, especialmente aqueles ligados às manifestações afrorreligiosas.

Ao longo de sua trajetória no jornalismo, Marciano Corrêa tem se dedicado à divulgação da cultura afro-brasileira, realizando coberturas e registros das atividades das casas religiosas de Lages, com ampla divulgação nas redes sociais.

A comunidade pode acompanhar essas iniciativas buscando “Que terreiro é esse?” nas redes sociais, onde são compartilhadas informações, registros culturais e ações das religiões de matriz africana no município.

Ao final do encontro, o presidente da Câmara reforçou sua disposição para manter o diálogo com as lideranças religiosas e com a municipalidade, destacando a importância de fortalecer relações institucionais que promovam inclusão, respeito às crenças, defesa de direitos e também a consciência dos deveres dentro da sociedade.

A reunião marca mais um passo no processo de organização e reconhecimento das comunidades de matriz africana em Lages, abrindo espaço para novas discussões e possíveis avanços na garantia de direitos e valorização da diversidade religiosa no município.