O Terreiro Império de Oxum foi alvo de crime de intolerância no dia 9 de fevereiro. O autor agrediu os participantes utilizando uma enxada como arma, colocando-os em risco à integridade física e moral. Não é um caso isolado, há alguns anos esse tipo de conduta tem-se mostrado recorrente contra centros de umbanda em nossa cidade.

Sabe por quais motivos algumas pessoas atacam os centros de umbanda? O primeiro deles é pela imensa ignorância religiosa, a falta de conhecimento da cultura e da nossa espiritualidade trazida há séculos por nossos antepassados que sempre praticaram uma religião voltada para o respeito à natureza e aos ancestrais, que muitas vezes é confundida com culto ao demônio, fruto de um pensamento introduzido pelo homem branco para hostilizar, marginalizar e segregar os praticantes das religiões de matriz afro.

O racismo estrutural coloca a desigualdade entre as práticas religiosas do direito ao culto e a liberdade de expressão. O Brasil é um país laico, por isso, a missa católica, o culto evangélico, a sessão espírita e a gira da umbanda têm a mesma proteção litúrgica do estado brasileiro. Contudo, a estrutura que coloca os centros de umbanda e candomblé como práticas “abaixo”, de baixo grau, de gente do mal, faz com que as estruturas de racismo dentro da religião causem atos de vandalismo contra os templos e seguidores.

E para acabar com isso? O que se faz necessário é a união urgente das religiões de matriz africana e da sociedade consciente do problema e erguerem não apenas a bandeira da intolerância, mas exigir dos estados federados medidas drásticas para esses criminosos, para não deixá-los impunes. Um ótimo trabalho é realizado nas escolas públicas e particulares sobre a questão do racismo. Todavia, é preciso ir além e criar outros mecanismos de defesa que garantam a paz e a livre manifestação do pensamento.