Após a saída do grupo de fiéis da região de São Sebastião, formou-se uma nova organização social entre os chamados “pelados”. Eles adotaram uma vida marcada por rituais religiosos intensos, jejuns, orações e práticas de purificação, rompendo simbolicamente com a antiga sociedade. Os homens raspavam cabelos e barbas e se reconheciam como parte de uma nova irmandade espiritual, oposta à ordem republicana vigente.

Buscando dialogar com esse grupo, mediadores tradicionais da região foram enviados aos sertões. Entre eles estava um líder popular respeitado, conhecido por sua postura conciliadora e por seu vínculo com o povo simples. Ao perceber o clima de radicalização crescente, tentou convencer os fiéis a retornarem para suas casas. A tentativa, no entanto, foi recebida com hostilidade, sinalizando que o movimento já se encontrava preparado para o confronto.

Nesse contexto, Euzébio Ferreira dos Santos fundou o arraial de São Bom Jesus do Taquaruçu, em dezembro de 1913. No centro da comunidade, símbolos religiosos e guerreiros se misturavam, expressando a fusão entre fé e luta. Ali, acreditava-se no retorno do messias, que viria montado em um cavalo branco e armado, liderando a redenção dos sertões.

Taquaruçu passou a ser vista como uma terra sagrada e encantada, onde não haveria morte e onde os fiéis estariam protegidos por forças espirituais. A crença misturava elementos do catolicismo popular com referências indígenas, especialmente ligadas à ideia de destruição e recriação do mundo como forma de punição aos responsáveis pela devastação da terra.

No início de 1914, centenas de caboclos com suas famílias já se concentravam no reduto, vindos de várias regiões do sertão catarinense e paranaense. Ao mesmo tempo, crescia a expectativa de um ataque das forças oficiais. A liderança do movimento passou a organizar a resistência, buscando instrução militar e aquisição de armas.

Armas modernas começaram a chegar ao reduto por rotas clandestinas, enquanto a população local produzia instrumentos rústicos de combate. Com isso, os fiéis deixaram de ser apenas devotos e assumiram o papel de combatentes. Em suas crenças, transformavam-se em guerreiros invencíveis, integrantes de um “exército encantado”, guiado por líderes religiosos considerados profetas.

A partir desse momento, o destino do movimento estava traçado. A radicalização, a militarização e a fé absoluta na proteção divina prepararam o cenário para uma tragédia iminente. Do outro lado, o Estado organizava a repressão, dando início a uma reação violenta que marcaria profundamente a história da Guerra do Contestado.