Influenciadores digitais podem sofrer perdas financeiras significativas caso a nova lei que regulamenta a atuação nas redes sociais seja aprovada. As ações de marketing realizadas por esses criadores de conteúdo passaram a ser acompanhadas mais de perto pelo governo federal. Atualmente, os rendimentos de um influenciador variam entre R$ 6 mil e R$ 1 milhão por ano, valores obtidos principalmente por meio de publicidade, propaganda e venda de produtos ou serviços — um mercado altamente lucrativo para quem domina a dinâmica de monetização na internet.

No ano passado, um influenciador digital ganhou repercussão nacional ao divulgar, nas redes sociais, um medicamento controlado para disfunção erétil cuja comercialização é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Conhecida como “gominha de tadalafila”, a substância é contraindicada para pessoas com problemas cardiovasculares e o uso indiscriminado pode levar à morte.

Ainda no mesmo período, medicamentos para emagrecimento também se popularizaram em perfis de influenciadores digitais. O caso mais emblemático ocorreu em Goiás, onde uma influenciadora foi presa em uma casa de luxo após vender medicamentos controlados sem autorização dos órgãos competentes.

Os episódios evidenciam como pessoas físicas conseguem atuar no mercado digital comercializando produtos ou serviços sem possuir formação técnica ou acadêmica na área. O consumo de medicamentos sem prescrição médica, incentivado por indivíduos não habilitados, pode trazer consequências graves à saúde. Além disso, serviços de natureza psicológica, jurídica e financeira são amplamente divulgados nas plataformas digitais, muitas vezes com promessas de sucesso ou cura imediata, sem alertar para riscos psíquicos ou patrimoniais.

Caso a nova legislação seja aprovada, influenciadores digitais poderão ser responsabilizados judicialmente pela divulgação de conteúdos sobre temas para os quais não possuam formação especializada ou qualificação técnica adequada. O projeto de Lei n º 5990/2025 é de autoria do Deputado Federal Vicentinho Junior (PP-TO) e está tramitando na Câmara, depois, segue para o Senado e sanção do Presidente da República.