Apenas caminhadas matutinas, velhos hábitos para mostrar que existe alguma experiência, tentativas de mostrar que o coletivo é melhor que o caminho solitário, sem vontade para ir na padaria e muito menos na floricultura, nada de novo na guerra.
Pessoas ainda choram e erram pelos mesmos motivos, é sempre um ato de impaciência com o outro, o que você faz é sempre mais que o outro e você faz uma declaração pública que detém qualidades superiores ao outro, nada de novo no vilarejo sem tragédias.
Os editores foram pagos, mas ainda falta pagar quem imprimiu mais de mil cópias, no fundo os escritores não deveriam pagar para que pessoas tivessem acesso ao livro, ainda que seja sabido da vaidade dos escritores.
Vamos reunir nossas peças de roupas velhas, pegar algum trocado e mudar para o interior, um lugar sem vaidades, sem lutas, sem glórias, sem mágoas, sem violência, é preciso negar o mundo por um tempo, o mundo nos cobra demais, somos sempre insuficientes para o mundo, só queremos um pouco de silêncio e de embriaguez não assistida.

* Corretor de imóveis, escritor e filósofo.