
Euzébio Ferreira dos Santos fundou o arraial de São Bom Jesus de Taquaruçu no dia 1º de setembro de 1913, cravando no centro de sua praça a espada de ferro do guerreiro morto e, no alto de uma capelinha, a cruz de madeira da nova religião.
Ali, no alto daquele planalto áspero e frio ele esperava a volta do seu messias, afirmando que ele voltaria correndo pelas nuvens, montado em seu cavalo branco encilhado como armamento completo: lança de prata, facões de aço, boleadeiras de ferro…
Agitando o nome da bandeira do Divino, ele aconselhou, que todo o povo dos sertões de Serra-Acima largasse tudo – e se dirigisse para Taquaruçu “com seus teres e haveres”: tal era a cidade encantada onde os velhos ia ficar moços e onde moços não morreriam nunca. Terra sagrada, protegida pelo espírito guerreiro de cucuí, paraíso perdido de Cadjurubê – o deus dos Kaigangs – que, depois de tudo destruir, recriará novamente o mundo. Primeiro refazendo a animalada e, depois, o homem, que antes será obrigado a regredir às cavernas com os dedos dos pés voltados pra trás, com os calcanhares sobre a nuca: castigo e punição para quem deixou os dragões de ferro incendiarem as matas e derrubarem os pinheirais.
No começo de 1914, mais de trezentos caboclos com suas famílias já se encontravam no Reduto de Taquaruçu. E diariamente engrossava o populacho de todos os quadrantes do sertão: campos da Lapa, Vale do Rio do Peixe, carrascais do Iguaçu…
…CONTINUA…













