
Quando foi que descansar se tornou um problema??
Quando foi que o silêncio passou a incomodar, que a pausa começou a provocar desconforto e que o não fazer deixou de ser simplesmente parte da vida para se transformar em algo que exige justificativas??
Olhar para esta pergunta com a devida seriedade talvez seja uma das tarefas mais urgentes do nosso tempo. Se você sente que descansar virou um luxo, ou pior uma atividade que precisa valer a pena, saiba que não está só. O mundo ocidental que habitamos nos convenceu de que parar na melhor hipótese um meio de seguir produzindo. Na pior é preguiça, desperdício, fraqueza e perda de tempo.
Não é coincidência vivermos atravessando pela maquina da produtividade, onde até o autocuidado, o lazer são engolidos por uma engrenagem que não admite freios. A lógica que estrutura a vida contemporânea parece ter nos convencido de que parar só é aceitável se for para, em seguida produzir mais. Dormir, meditar, relaxar, cuidar do corpo ou da mente, são ações válidas desde que sirvam a máquina. Caso contrário sai vistas como fraqueza, improdutividade ou culpa, essa não é uma sensação isolada. É na verdade um sintoma coletivo profundamente estranho na cultura do imediatismo e do capitalismo.
A engrenagem da produtividade não apenas organiza as rotinas, mas invade os corpos, modela desejos e captura até os espaços que em outro tempo eram reservados ao vazio á contemplação.
Vivemos na era da performance permanente, na qual o sujeito é simultaneamente trabalhador, gestor, vigilante e executor de sí. Vivemos um esgotamento generalizado por autopromoção, hiper exigências e positividade excessiva. A armadilha é sutil, justamente por isso é extremamente eficaz, o autocuidado virou tarefa a até a pausa virou meta.
Nem todo vazio precisa ser preenchido é que isso não é sinal de fracasso, mas simplesmente dá própria condição de estar vivo. E neste sentido que devêssemos recolocar o descanso no centro da vida.













